terça-feira, 16 de setembro de 2008

Há um bom tempo venho ensaiando a começar a escrever sobre este assunto... Agora vai... O debate político no Brasil é tão pobre e cercado de má informação e preconceitos que é cansativo falar sobre assuntos e conceitos tão mal colocados.
Começo falando sobre o sistema eleitoral. O parlamento é um órgão colegiado, aqui e em qualquer outro lugar do mundo. Portanto, a atuação de um parlamentar se dá através de sua bancada. É normal que alguns parlamentares se destaquem por sua liderança, personalidade, conhecimento etc. Mas o que conta, afinal, é o número de membros de cada bancada.
O sistema que reflete melhor a população é o proporcional, já que é assegurado às minorias (eleitorais) representação parlamentar. O sistema distrital é extremamente conservador, já que nivela a delegação à base territorial e não a grupos políticos, sociais, econômicos, religiosos ou de outra identificação. Ou seja, o representante de um distrito representa o rico e o pobre, o branco e o negro, o homem e a mulher, o heterossexual e o homossexual, o patrão e o empregado. Para os conservadores, esta é a representação ideal, pois esconde as diferenças e ignora a minoria. O argumento de que o deputado está mais próximo do representado é uma falácia, já ele não representa toda a população.
Mas praticamente nenhum país tem um sistema de eleição igual a outro país. No Brasil, adota-se o sistema proporcional com listas abertas. Isto significa que as listas de eleitos é feita pelos eleitores e não apresentada pelos partidos.
No dia da eleição, o eleitor vota num determinado candidato que, de acordo com o número de votos recebido e o número de votos que seu partido receber, irá se posicionar na lista partidária. Em outros lugares, esta lista já é apresentada pelos partidos políticos e o eleitor apenas indica o partido de sua preferência.
Aí, cria-se a maior celeuma no país o fato de que um deputado como o Enéias, nas eleições de 2002, ter tido 1,6 milhão de votos e ter carregado deputados com algumas centenas de votos. Ele não carregou ninguém. Os eleitores do PRONA foram representados pela lista partidária elaborada nas urnas. O absurdo está no fato de os eleitores são saberem disso e a mídia não fazer nenhum esforço para explicar como funciona o sistema eleitoral e insistir numa discussão equivocada. A discussão que deve ser realizada é a consistência ideológica e programática dos partidos. Esta confusão” parte do princípio equivocado de que o eleitor brasileiro vota em nomes e não em partidos (sobre isso, falarei em outro post...). Ora, o sistema proporcional é eminentemente um sistema partidário. Quando o eleitor vota em determinado candidato, ele está votando no seu partido, mesmo que subjetivamente para este eleitor tanto faz qual seja o partido de seu candidato.
Outra bobagem que se diz é sobre os suplentes de senadores. Ora, o nome do suplente não é escondido de ninguém, não caiu do céu ou foi tirado do colete do titular. Sua indicação teve que passar por uma convenção partidária e ele é eleito na lista do senador. Quando você vota no senador, está votando numa listinha de três nomes: o próprio senador, o primeiro suplente e o segundo suplente. Por que a imprensa não expoem e questiona os suplentes também? Porque a cobertura política no país é baseada nas fofoquinhas e no denuncismo, e não passa perto da discussão das questões importantes. Culpa de quem? Dos políticos, da mídia ou dos eleitores? De todos, cada um tem sua responsabilidade, mas eu acho que o poder da mídia de pautar as discussões é o maior de todos.
O sistema eleitoral brasileiro é um dos mais democráticos do mundo, uma vez que a lista partidária é elaborada pelos próprios eleitores e não pelas burocracias partidárias.

Agora vou falar um pouco sobre a distribuição das cadeiras por estado. Há um consenso de que as regiões Sul e Sudeste são subrepresentadas enquanto a representação do Norte e do Nordeste está superdimensionada. Outra bobagem que não resiste a uma calculadora. Utilizando as estimativas do IBGE para 2008, mostro abaixo qual deveria ser a delegação ideal por estado:




Como podemos ver, a distorção no número de representantes é pequena em quase todos os estados, resultado do crescimento populacional desigual e do “congelamento” do número de deputados pela Constituição de 1988. A região Sul, na verdade, está super-representada com 3 deputados a mais do que deveria ter. As maiores distorções são as do estado de São Paulo, devido ao limite de 70 deputados, e a dos pequenos estados da região norte (Acre, Roraima, Amapá e Tocantins), devido ao limite minímo de 8 deputados por estado.
Muito se fala sobre este assunto sem ao menos ter a preocupação de calcular os dados. Ainda por cima, costumam somar a região Sul com a Sudeste e o Nordeste com o Norte, para criar uma falsa impressão de domínio político do norte do país – atrasado – sobre o sul maravilha.

Primeiro planeta observado diretamente por um telescópio


Astrônomos da Universidade de Toronto, usando o telescópio Gemini North, no Havaí, fotografaram pela primeira vez um planeta ao redor de uma outra estrela. Até agora, a descoberta de planetas extra-solares tem sido realizada por outras técnicas que não a observação direta.
O planeta possui uma massa de 8 vezes a de Júpiter e orbita a 330 Unidades Astronômicas de sua estrela (ou seja, está 220 vezes mais longe de sua estrela do que a Terra do Sol, o que significa aproximadamente 50 bilhões de quilômetros).
A estrela possui uma massa similar ao Sol, mas é muito mais nova e está a 500 anos-luz de distância.
Alguns corpos planetários já foram visualizados, mas não estavam unidos gravitacionamente a estrelas.
A confirmação de que este corpo está gravitacionalmente ligado a esta estrela obrigará os cientistas a repensar a teoria de formação planetária, já que ele está muito longe de sua estrela.
Mais informações em http://www.gemini.edu/node/11126.


sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Bolívia

A América Latina passa por um momento singular em sua história. A ascensão de governos populares e de esquerda é um reflexo do protagonismo dos novos agentes políticos: os povos indígenas, os mestiços, os negros, a base da pirâmide social. Este movimento tem uma dimensão continental: a situação social em um país reflete no outro, algo que nunca teve a força que tem hoje. Mas, é claro, toda ação gera um reação. A direita não tem demonstrado capacidade de reagir nas urnas, então apela para o golpe, como já o fez na Venezuela. Infelizmente, o governo de Evo Morales não tem tido a capacidade de desarticular a oposição, como tem feito o governo Lula no Brasil. Alguns acham que o governo brasileiro é fraco e vive fazendo concessões para governar. Mas aqui, para a oposição sobreviver às urnas no mês que vem, tem sido obrigada a mostrar que cultiva uma relação civilizada com o governo e até mesmo a utilizar a imagem de Lula. Até mesmo o neto de ACM, que ameaçou a dar uma surra em Lula há algum tempo, tem elogiado o governo para não ser derrotado nas urnas.
As elites latino-americanas são as piores do mundo, porque aqui há uma separação que vai além da separação de classe. Aqui há uma separação étnica também. A elite asiática é asiática, a elite dos países africanos é africana, a elite européia é européia, a elite norte-americana é norte-americana, mas a elite latino-americana não se julga latino-americana. Os brancos daqui não acham que pertencem ao mesmo povo dos índios, dos mestiços e dos negros. Há mais semelhanças entre um guatemalteco e um uruguaio do que entre um grego e um irlandês, entretanto a elite irlandesa e a grega se consideram européias e se vêm enquanto participantes de um projeto continental. As elites dos nossos países se ofendem ao serem chamadas latino-americanas. No caso do Brasil, por não partilharmos a língua espanhola, ideologicamente já somos condicionados a não nos pensarmos latino-americanos. Não sabemos o que acontece nos países vizinhos, não há correspondentes de nossos jornais. Nova Iorque parece mais próxima do que La Paz.

Cadê a crise que estava aqui???

No início do ano, a grande imprensa alardeava uma suposta crise energértica e que o Brasil seria atingido pela crise americana (mais grave do que a crise de 1929!). Depois veio a inflação galopante! Politicamente, tentaram inventar a crise da tapioca, com supostos gastos exorbitantes de funcionários de segundo escalão. Como essa crise não estava dando certo, tentaram desviar o foco para um tal dossiê, preparado a mando da ministra Dilma Roussef, com gastos do governo anterior (oh, que crime!!!). No final, ficou demonstrado que não havia nenhum dossiê e que os dados haviam sido repassados por um amigo de um assessor do senador Álvaro Dias e depois manipulados para dar a impressão de que eram um maquiavélico plano governamental para chantagear a oposição.
A crise americana não deu sinais de ser tão grave assim e o PIB brasileiro cresceu 6% no primeiro semestre (um índice quase asiático!). Não houve nenhuma apagão (foi transferido para o ano que vem...).
A inflação (com causas internacionais) perdeu o fôlego e alguns índices indicam até uma deflação nas últimas semanas.
A última tentativa de criação artificial de uma crise no país foi a história dos grampos. Como já disse em outro post, é mais um tiro no pé da oposição. Para começar, os protagonistas, as vítimas, são nada menos do que o presidente do Supremo, Gilmar Mendes (o soltador de Daniel Dantas), e um senador demo. Com estes personagens populares, a população não está nem aí para um suposto grampo. Aliás, se fossem mesmo grampeados, eles é que deveriam estar preocupados com o que andaram falando... Não combina o papel de vítima com um senhor como o Gilmar Mendes. De que lado será que a opinião pública ficaria, a Polícia Federal e/ou Abin ou um juiz que concede habeas corpus para sujeitos como DD? Por mais que a mídia/PIG force a barra, esse crise não é nada popular...
E por falar em popular, Lula tem 64% de aprovação segundo o Datafolha (avaliação de bom e ótimo, uma vez que a Folha de São Paulo sempre tenta reduzir a aprovação, já que muitos dos que consideram o governo regular também o aprovam... mas mesmo com essa manipulação, eles não conseguiram evitar este recorde).

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Entre o céu e a terra

Amanhã entra em funcionamento o LHC, o super acelerador de partículas. Alguns temem o fim do mundo, como temem as crianças que dão os primeiros passos...
Outros acham que buscar o compreensão do que é o Universo e o que somos nós é jogar dinheiro fora.
Para Stephen Hawking "tanto o LHC como o programa espacial são vitais para que a raça humana não se embruteça e, finalmente, morra". "Juntos, eles custam menos do que 0,1% do PIB mundial." "Se a raça humana não puder sustentar isso, não merece o epíteto 'humana'".
Já fomos o centro da criação, o centro do universo. Para algumas religiões, o homem teria sido criado à imagem e semelhança de Deus. Não há, a meu ver, uma heresia mais infame...
Hoje sabemos que as diferenças cromossômicas entre um ser humano e um macaco são ridículas. Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais humildes nos tornamos.
Quando olho o céu, sinto-me confortável no pequeno grão de poeira em que vivemos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Hipocrisia de Hippolito

Não tenho paciência para ler a comentarista de pesquisas Lúcia Hippólito. Realmente, o quadro de pensadores que a oposição criou é muito fraco, por isso é que vão continuar a perder eleições por um bom tempo. Mas entre as bobagens dos títulos das matérias em que comenta as eleições, ela diz que a Luiziane Lins, candidata do PT à reeleição em Fortaleza, precisa ainda abaixar sua rejeição. Vou até a pesquisa e vejo que a rejeição da Luiziane está em 19%, índice baixo...

Mais mentiras repetidas...

O site da UOL criou um serviço de utilidade pública, onde faz algumas perguntas aos candidatos. A primeira pergunta é se ele é a favor que candidatos que respondem a processos tenham o direito de se candidatarem...
É a chamada (pelo PIG) lista suja. Então eles fazem enquetes onde mais de 80% das pessoas respondem que são contra...
Em primeiro lugar, responder a um processo não significa absolutamente nada. O processo pode ter sido iniciado por um opositor. Isso não é ficha suja, mas é aquela mesma história... vamos repetir uma mentira muitas vezes para se tornar verdade e assim poder falar que a Marta tem ficha suja.
 
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